Diariamente, acordo cedo, mas nem sempre acordo leve.

Tem dias em que a mente acelera mais que o corpo. Eu desperto com mil pensamentos ao mesmo tempo, uma lista infinita de tarefas na cabeça e aquela sensação silenciosa de estar sempre devendo algo — pra mim, pros outros, pro futuro.

Ainda assim, eu levanto. Não no automático, mas na insistência.

O dia começa tentando organizar o que está por dentro, pra conseguir dar conta do que está por fora. Entre estudos, responsabilidades e uma rotina que exige mais do que às vezes eu sinto que tenho, eu sigo — um passo por vez, sem resolver tudo, mas sem me abandonar.

No meio da tarde, é no treino que eu me reencontro.

Ali, não existe passado nem futuro. Existe o agora. A respiração, o movimento, a próxima repetição. O treino virou mais do que estética ou disciplina física — virou um ponto de equilíbrio. Um jeito de descarregar o excesso, silenciar o barulho e lembrar que eu estou aqui, presente. Até com apoiadores, alunos meus, dedicados a fazer o mesmo: a de se organizarem.

Treinar tem sido uma forma de me organizar por dentro.

O cansaço físico, curiosamente, traz uma clareza que a mente ansiosa não alcança sozinha. É ali que eu volto pra mim, que eu foco no que importa naquele momento.

E então a noite chega.

Com ela, o silêncio… e a pergunta que quase sempre aparece: “será que agora deu?”

Deu pra fazer o suficiente? Deu pra avançar? Deu pra ser forte o bastante hoje?

Nem sempre eu tenho essa resposta. Talvez, nunca tenha essa resposta.

Mas tenho aprendido que talvez não seja sobre “dar”. Talvez seja sobre continuar. Sobre respeitar o processo, mesmo quando ele não parece grandioso. Sobre entender que equilíbrio não é perfeição — é constância, mesmo nos dias difíceis.

Ainda estou me tratando, me entendendo, me ajustando. E tudo bem não estar 100% o tempo todo.

O importante é não se abandonar no processo.

E amanhã… eu tento de novo.


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