MigrAção?

Prova após prova, lição após lição, vou ali me preparar. Mas, entre uma entrega e outra, um trabalho e outro, uma aula e outra, percebi que talvez a vida não esteja me pedindo apenas preparação. Talvez ela esteja me pedindo movimento.
Durante algum tempo, associei o crescer à ideia de prontidão. Prontidão de projetos, de desafios, de espaços, de família…Como se houvesse um momento para iniciar confortavelmente, pois, segundo vozes da minha cabeça, eu receberia uma espécie de certificado me autorizando pra dar o passo.
Só que, no mundo real, são muitas as peças de Lego que se encaixam ao mesmo tempo. Enquanto estamos ali, estudando, ou revisando uma coisa, ou corrigindo alguma coisa errada, ou revisitamos os planos, e/ou até mesmo anotando sobre algo que talvez nem conseguiremos consultar com calma.
É assim que sentimos essa migrAção. É quando aprendemos a habitar os novos territórios entre nós. Acredito que a nossa geração está migrando pra sobreviver de outro modo que as gerações mais velhas e que estamos preparando as mais novas para esse processo,
Hoje, migramos para crescer. Em meu caso, entre projetos, entre as versões de mim mesma, entre os sonhos que nasceram sem aviso e ocuparam outros, que estão ali, na cabeceira da vida.
Entre a professora que entra em sala de aula, a aluna que faz as lições, a escritora que tenta transformar experiências em palavras e a pessoa que, no fim do dia, ainda se pergunta se conseguiu fazer o suficiente.
E, talvez, possa ter pensado o mesmo que você ai do outro lado da tela: que ninguém está pronto pra tudo que realmente importa. E que a travessia seja o aprender enquanto migramos.
Por isso, as dúvidas sempre existem, mas como diria um sabio professor: não existe dúvida ruim. Ruim é não saber duvidar.
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