…até aqui.
Há uma frase que parece simples, mas que carrega uma história inteira: “Deu trabalho, mas deu certo.”
Hoje, porém, eu acrescentaria mais estas palavras: “…até aqui.”
Não escrevo para celebrar uma linha de chegada. Até porque ainda não terminei nada. Ainda há muito para estudar, construir, revisar, testar e aprender. Mas, existe um momento em toda caminhada em que vale a pena parar por alguns instantes, respirar e reconhecer o quanto já foi percorrido.
Quem olha apenas o resultado dificilmente imagina como foi o caminho até ele. Vê um projeto tomando forma, uma aula estar pronta, um artigo ser revisado, um livro sendo escrito ou um sistema funcionando adequadamente. O que quase nunca aparece são as horas gastas tentando entender um problema, os rascunhos descartados, as ideias que não funcionaram, os códigos reescritos, as páginas revisadas inúmeras vezes e aquela insistência silenciosa que só quem está construindo alguma coisa conhece.
Vivemos em uma época em que tudo parece acontecer muito rápido e complexo. As redes sociais mostram a conquista, mas raramente mostram o processo. Vemos a fotografia do sucesso, mas quase nunca enxergamos as dezenas de versões anteriores, os dias em que parecia impossível continuar ou as pequenas vitórias que aconteceram muito antes da publicação final.
A verdade é que construir qualquer coisa que tenha significado exige tempo.
a autora
Na tecnologia, isso significa enfrentar erros que surgem sem qualquer aviso, aprender ferramentas novas, estudar conceitos que parecem distantes e descobrir, muitas vezes por tentativa e erro, que a solução estava escondida atrás de mais uma pergunta.
Na educação, significa preparar uma aula pensando em diferentes formas de ensinar, adaptar conteúdos, ouvir os estudantes e entender que ensinar também é uma maneira permanente de aprender.
Na escrita, significa aceitar que um bom texto dificilmente nasce pronto, até mesmo se for utilizar qualquer Ge-Pê-To da vida. Ele passa por cortes, revisões, dúvidas, recomeços e inúmeras versões até que as palavras encontrem seu lugar.
Tudo isso pode ser muito cansativo.
E talvez por isso eu tenha entendido, nos últimos dias, que continuar também exige saber descansar.
Vivemos com a impressão de que produtividade é estar sempre fazendo alguma coisa. Como se parar fosse sinal de fraqueza ou falta de compromisso. Mas o corpo e a mente têm outro ritmo. Eles também precisam de silêncio, de pausa e de tempo para reorganizar ideias.
Foi justamente diminuindo o passo que percebi o quanto já havia caminhado. Ah, e ouvindo os passarinhos também.
Ainda faltam etapas importantes, sim. Ainda existem decisões para tomar, problemas para resolver e objetivos que continuam ali no horizonte. E hoje também consigo enxergar algo que antes passava despercebido: já não sou a mesma pessoa que começou essa jornada, uma júnior da vida. Sou plena e adulta. Ou melhor: a Sandy cantou essa.
Cada dificuldade enfrentada ampliou minha capacidade de resolver a próxima. Cada erro deixou de ser apenas um obstáculo para se transformar em aprendizado. Aos poucos, aquilo que parecia impossível começou a fazer parte da rotina, e novos desafios passaram a ocupar esse espaço.
Talvez essa seja a parte mais bonita de qualquer processo: perceber que o resultado importa, mas que a transformação acontece muito antes dele.
Nem sempre conseguimos na primeira tentativa. Às vezes também não é na segunda ou na terceira. Algumas conquistas exigem dezenas de ajustes antes de acontecerem. Persistir não significa repetir o mesmo caminho indefinidamente; significa aprender a cada tentativa, mudar a estratégia quando necessário e seguir em frente com um pouco mais de experiência do que no dia anterior.
Hoje escolhi repousar um pouco. Não porque desisti, até porque quero continuar.
Descansar não interrompe o processo. Faz parte dele. É nesse espaço entre uma etapa e outra que muitas ideias amadurecem, que a criatividade encontra espaço e que a motivação volta a fazer sentido.
Ainda não posso dizer “consegui”. Ainda não posso afirmar que cheguei ao fim. Mas posso dizer, com tranquilidade, que tudo o que foi construído até aqui já valeu o esforço.
Olhando para trás, vejo muito mais do que horas de trabalho. Vejo aprendizado, disciplina, pessoas que caminharam ao meu lado, desafios que pareciam intransponíveis e pequenas conquistas que, somadas, me trouxeram até este momento.
A linha de chegada continua lá, esperando. E não estarei inerte à ela, eu também continuarei caminhando.
Por enquanto, permito-me apenas fazer uma pausa, respirar e agradecer pelo caminho percorrido.
Porque algumas jornadas não nos transformam apenas quando terminam. Elas nos transformam todos os dias, enquanto ainda estamos construindo o próximo passo.
Deu trabalho. Deu muito trabalho. E, até aqui, valeu cada passo.
Obs. Isso realmente aconteceu por algumas semanas, mas foi por uma boa causa. Estava precisando e os colegas envolvidos me ajudaram na missão específica: as provas… Até lá, fiquem com o vídeo da minha caminhada na USP.


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